As 100 linguagens, das quais todos os seres humanos são dotados desde o nascimento, são uma ideia potente, que contém muitas implicações.
A primeira implicação é que cada criança tem modos diferentes de entrar em contato com o mundo, de explorá-lo e de conhecê-lo.
A segunda é a perda do predomínio por parte da palavra. Todas as linguagens possuem dignidade equivalente, são todas, como escrevia Loris Malaguzzi, “modos de ser, de agir, geradoras de imagens e de léxicos complexos, de metáforas e símbolos; organizadoras de lógicas práticas e formais, de estilos pessoais e criativos”.
A terceira implicação é que – enquanto dotação biológica – as 100 linguagens precisam da experiência para desenvolverem plenamente as suas potencialidades criativas, expressivas e conceituais.
É, portanto, direito de cada criança utilizar todas as linguagens para encontrar o mundo, elaborar as próprias representações e teorias, comunicar.
Isso compromete a escola e a creche a valorizarem a expressividade e as possibilidades elaborativas e comunicativas de todas as linguagens verbais e não verbais com dignidade equivalente, propondo contextos cotidianos de aprendizagem, em que todas as linguagens possam, sem hierarquias ou cortes, desenvolverem-se, potencializarem-se e interagirem entre elas, ganhando formas inesperadas e originais.
Este webinário, partindo de uma leitura das experiências amadurecidas em Reggio Emilia, quer oferecer uma moldura orgânica para os aprofundamentos específicos oferecidos pelas propostas seguintes.
Relatoras:
Claudia Giudici, Presidente da Reggio Children
Isabella Meninno, atelierista – Escolas e Creches da Infância – Instituição do Município de Reggio Emilia